quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Jovem é vítima de pacote barato

JORNAL DE BRASÍLIA - CIDADE, 16/02/2006

A diversão e o sossego passaram longe do feriado de Nina Rocha, 17 anos, na Semana Santa do ano passado. A jovem planejou uma viagem com as amigas, mas percebeu uma situação desesperadora. O pacote turístico adquirido na empresa Marina Tur incluía passagens de ida e volta, de ônibus, para Caldas Novas (GO), serviço de bordo, hospedagem, café da manhã, traslado e ingressos para os shows que aconteceriam na cidade. "O preço estava bem abaixo do mercado. Fechamos o negócio e assinamos um contrato no qual estavam descritas todas as vantagens oferecidas pela empresa", explica Nina.
Na hora do embarque, a Marina Tur cometeu o primeiro "erro". A excursão de Nina, que deveria sair às 9h, só deixou Brasília ao meio-dia. "A empresa havia fretado dois ônibus para Caldas Novas. O nosso saiu com atraso, o segundo, nem saiu daqui", conta a jovem.
Quando Nina e suas amigas chegaram ao hotel, veio a segunda "surpresa". "Não era o que tínhamos acertado. O hotel onde ficamos tinha o quarto bem menor, além de não ter as piscinas e a infra-estrutura que nos foram vendidas", afirma.

SUMIÇO
Daí para a frente as coisas só pioraram. Os guias e donos da empresa sumiram, deixando a excursão sem os ingressos para as festas e o transporte que deveria levá-la aos shows. "Ficamos desesperados. Tínhamos pouco dinheiro, pois tudo já havia sido pago. No fim das contas, descobrimos que nem as reservas no hotel foram feitas", desabafa Nina.
A essa altura, os pais da jovem estavam muito preocupados. "Tivemos que mandar dinheiro para ela pagar o hotel, os shows e a comida. Compramos até a passagem de volta, temendo que nem com isso a empresa fosse arcar", lembra a mãe de Nina, Eliane Rocha.
Quando a filha chegou, sã e salva, Eliana sustou o cheque que pagaria o restante da viagem. "Dividimos o valor em duas vezes. Paguei a primeira parte à vista e cancelei o pagamento da segunda. Dei queixa na delegacia e sustei o cheque por orientação da polícia. Recentemente, descobri que a Marina Tur passou o meu cheque para terceiros. Recebi um aviso de que estou sendo processada como se fosse caloteira", relata Eliana.
De vítima a ré, ela teme que outras pessoas passem pela mesma situação. "Sinceramente, preferia que minha filha estivesse no ônibus que nunca deixou Brasília", finaliza.
A reportagem tentou contato com o proprietário da Marina Tur, cujo primeiro nome é Marinaldo, mas, segundo Eliana, ninguém consegue mais localizá-lo.
Darla Simões (nome fictício), 43 anos, teve um pouco mais de sorte que Nina, mas não menos dor de cabeça. A funcionária pública comprou, pela internet, um pacote para o Réveillon em Itacaré (BA). No dia seguinte à aquisição, desistiu da viagem. "Não pedi o dinheiro de volta, só tentei negociar para remarcar a data", conta.

MULTA
Sem acordo com a agência, sediada em São Paulo, ela foi informada que iria receber apenas 10% do valor total do pacote. "Segundo a empresa, esta multa está estabelecida nas normas da Embratur. Isto não é verdade. A norma diz que, se a viagem for cancelada até 20 dias de antecedência, o cliente deve pagar uma multa de 20%", explica Darla.
Tentando solucionar o problema, ela recorreu ao Instituto Brasileiro de Estudos e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec). Com o auxílio da instituição, conseguiu de volta a metade do dinheiro, e aguarda a decisão judicial para reaver o restante. "No Ibedec fui informada que, na compra de qualquer produto ou serviço pela internet, o consumidor tem um prazo até 7 dias, garantido por lei, para desistir da aquisição", observa.
Nesses casos, orienta-se para que as pessoas tenham mais atenção ao escolher as agências de viagem. "É preciso consultar se a empresa possui queixas no Procon. Além disso, o contrato deve ser lido com atenção. No caso de qualquer problema, o consumidor só tem direito ao que está especificado no documento", esclarece o chefe de Atendimento do Procon, Waldo Souza.